Durante a aula da Profa. Ms. Edilene Maia Almeida de Linguagens Midiáticas no dia 16 de Março, aprendemos sobre um novo termo que vem sido difundido na mídia mundial de um ano e meio para cá e que é o tema do 1º Congresso Internacional do Livro Digital que acontece em São Paulo até o dia 18: TRANSMÍDIA.
Nesse congresso, nomes como Jeff Gomez, fundador da Starlight Runner (agência publicitária e de produção cinematográfica que possui como clientes as gigantes Disney, Coca-cola, Microsoft, Mattel e Fox) discute sobre esse novo conceito que, nada mais é do que a evolução dos conceitos de crossmidia ou multi-plataforma.
A ideia principal da Transmidia é transportar as histórias para outras plataformas tornando possível a interação do público com a criação ou o consumo de um conteúdo contínuo, ou seja, nada mais é do que a continuidade de uma história dada em outros meios.
A característica principal de um produto Transmídia é a não-redundância porque, quando uma história é transposta para outra plataforma da maneira como ela é na plataforma original torna-se multimídia, conceito que, para os dias de hoje não tem sido suficiente para suprir a busca de informação da geração das redes sociais.
Transmídia e o Cinema
Entretanto, como dito antes, esse é um conceito que, se formos analisar, não é novo. Apenas o termo o é. Isso acontece devido aos avanços tecnológicos dos últimos anos e a disseminação e facilitação de acesso à internet que possibilitou a criação de novas plataformas para divulgação de conteúdo a um novo público que nasceu e que não se contentou apenas em receber as mensagens dos canais como também criar suas próprias mensagens e interagir com o conteúdo criado. Mas, esse conceito já foi aplicado há anos com a saga de filmes Star Wars onde era possível ter os bonecos da história, os vídeo games, as revistas especializadas e todos os milhares de conteúdos que existem até hoje.
De acordo com especialistas, na verdade, esse conceito existe desde a época das cavernas e da época de Jesus Cristo quando o que ele disse oralmente se transformou em livros, vitrais, músicas e tantos outros manifestos ao longo de todos esses anos.
Porém, utilizando exemplos mais atuais, as transmídias que mais fizeram sucesso foram, a cara e super premiada produção Matrix, de 1999, e o seriado Lost de 2004.
No primeiro exemplo, além do filme, os fãs poderiam contar com o Animatrix, pequenas histórias digitais vinculadas em vídeos e em gibis com novas aventuras e novos personagens, games onde, quem não assistiu ao filme conseguia entender a história, além das salas de discussão e produtos comerciais. Mas, cada uma dessas plataformas tentou transmitir novas possibilidades de história à história.
No segundo exemplo, a série de tevê sucesso em todo mundo, Lost, conseguiu criar um novo conceito de interação com a vida fictícia ao criar a possibilidade de jogar em um game simulador de vôo do avião de Lost com todos os recursos visuais e sonoros para que você, espectador, passasse a se sentir personagem na história. Além disso, por meio de salas de discussão e bate-papo entre os fãs, os diretores da série Jack Bender, Stephen Williams, Paul A. Edwards e Tucker Gates conseguiam criar ou repensar os episódios baseando-se não somente na opinião exposta dos fãs como também nas especulações que os fãs criavam entre si com pequenas crônicas e histórias divulgadas nessas salas de discussão em redes sociais.
Esses são os exemplos mais eficazes de execução do conceito transmídia do universo cinematográfico para as mais variadas plataformas: revista, tevê, vídeo, blog, comunidade, gibi, salas de bate-papo, games, músicas, livros, documentários, material 3D... de uma maneira que a história se desdobra, ganhando continuidade sem redundância, mas também sem fugir demais do tema principal.
Histórias que foram sucesso de livro, hoje em dia não precisam mais ficar apenas no cinema. Mas não é só “Harry Potter”, “Saga Crepúsculo”, “O código da Vinci” e tantos outros sucessos editoriais que conseguem se integrar e serem aderidos no universo Trasmídia.
As produções de baixo custo como “Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal” lucraram com a pré-divulgação de sinopses interativas com imagens que instigavam o público a querer saber mais sobre os filmes antes mesmo deles serem lançados. Em um dos casos foi até realizado um documentário para a tevê sobre o tema provocando um grande fluxo de troca de informações entre os “já-fãs” do filme na internet, mesmo sem ele sequer ser lançado ao cinema.
As produções de baixo custo como “Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal” lucraram com a pré-divulgação de sinopses interativas com imagens que instigavam o público a querer saber mais sobre os filmes antes mesmo deles serem lançados. Em um dos casos foi até realizado um documentário para a tevê sobre o tema provocando um grande fluxo de troca de informações entre os “já-fãs” do filme na internet, mesmo sem ele sequer ser lançado ao cinema.
O Conceito na Publicidade - Transmídia não acontece somente no cinema. Jeff Gomez foi responsável pela campanha da Coca-Cola “a fábrica de sonhos” onde era passado o início de uma história nos comerciais na televisão, mas era possível acessar o conteúdo em vídeo na internet pelo site oficial com as continuações.
Críticos acreditam que esse novo conceito pode indicar, em algum momento, uma situação de colapso na comunicação e no fluxo de informações já que teremos um acesso tão grande e ilimitado aos conteúdos produzidos, que iremos retroceder para buscar o equilíbrio dos produtos lineares ( que possuem começo -> meio -> fim).
Entretanto os adeptos ao conceito de Transmídia desacreditam nesse possível colapso de informação devido ao público que nasceu numa sociedade que cada vez mais busca ser interativo e não só ter informação como também produzi-la, acessá-la, comentá-la, consumi-la tornando possível todo esse processo de produção e troca de informações transmídia.
Trazendo para a realidade desse blog, podemos dizer então que Fanfictions, de acordo com as análises desses especialistas que discutem a realidade das linguagens midiáticas, não é somente uma atividade ociosa de fãs “fanáticos”. O ato de produzir um conteúdo de continuidade às histórias implantadas e divulgadas na mídia tradicional não somente tem sido discutido, como também incentivado como maneira de interação com o público consumidor dessas histórias que, além de comprar os livros, games, filmes e produtos comerciais, ainda realizam um tipo de publicidade para as empresas ao disseminarem o que produzem sobre suas histórias favoritas na internet por meio das mais variadas plataformas disponíveis hoje na rede.
Sites especializados no recebimento tanto desse público como do conteúdo desse público têm lucrado com a possibilidade de receita com publicidade dentro de seus portais, além de oferecer suporte para melhorar o acesso dos autores-consumidores com contas Premium, Gold, Master, e tantos outros títulos que garantem lucro aos donos desse novo negócio e satisfação dos clientes/ público/ produtores de conteúdo que acessam para contribuir com o avanço da cultura de informação.
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| Novo público que nascem e buscam cada vez mais estar antenado no mundo ao seu redor alimentando assim a indústria de produção de conteúdos cada vez mais adaptados ao conceito de Transmídia. |
Veja a entrevista dada por Jeff Gomez ao “Istoé Dinheiro”:
Participação da Rede Globo na Campus Party Brasil expondo seus projetos Transmídia:
Veja mais sobre Transmídia:
Confira aqui site de publicação de Fanfics:









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